E o perdão...

Quantas pessoas você já conheceu na vida? Quantos amigos já teve? Namorados? Romances? Inimigos? Se você é do tipo que, como eu, acredita na multiplicidade de vidas terrenas vividas por um mesmo espírito, talvez tenha tido milhares de relacionamentos. Talvez milhões.


Esquecendo os “previous”, lido apenas com os relacionamentos dessa existência. Compreendo que uma pessoa possa andar 70 anos nesse planeta sem nunca conseguir perdoar a perda de um grande amor. O que é comum na vida dos meus companheiros humanos se tornou um pesadelo na minha mente e no meu coração.

Desde que passei pela ilusão de perder um grande amigo, caminho pelos dias sem saber como lidar com os sentimentos doloridos que me acompanham. Talvez seja uma mistura de tudo o que eu me recusei a sentir junto a raiva e sentimentos de não aceitação. Dizem que amigos são pra vida toda. Então, deve ter alguma coisa errada nessa história.

Depois de inúmeras tentativas frustradas de colocar tudo em “pratos limpos”, me vi sozinha com minhas lembranças, minha dor e minha versão da história. Nada mais. E sim, é claro... o desejo de não precisar carregar essa história até o túmulo.

Foi então que fiz o improvável. Deixei que as lembranças e os sentimentos viessem à tona. Reli cartas. Revi fotos. Senti toda a raiva, saudade, medo e ressentimento que vinha me recusando a sentir por meses. E no meio do que parecia ser o caos de emoções borbulhantes, pensei comigo mesma: que vontade de perdoar... Era um sentimento tão familiar e ao mesmo tempo tão distante, semelhante a cheiros e sons que marcaram nossa infância, mas que se perderam no tempo e na memória. Deixei então que o perdão voltasse e fizesse as pazes comigo e com os outros sentimentos que me habitam.

E agora, nesse momento em que ouço música e escrevo para meus leitores, percebi que minha história de amor, amizade e separação não é um privilégio. Alguns grandes autores quando narram emocionadamente suas histórias reais e fictícias, pretendem ser únicos. Sinto ter que dizer a Romeu e Julieta, por exemplo, que igual a história deles, existem inúmeras outras. Os personagens podem não ser os mesmos. Mas os sentimentos e emoções envolvidos, esses sim... Esses são compartilhados com toda a humanidade.

E assim, ao final da tarde de hoje, resolvi retirar essa bela e emocionante história de amor do meu coração já atormentado e a escrever no Grande Livro da vida, junto com todas as outras grandes histórias. O senhor que toma conta do livro me prometeu poder revisitá-la sempre que quiser, posso inclusive ler as outras, mas deixando-a lá, poderia seguir a vida com leveza, sem precisar carregá-la por mais 70 anos. E então eu concordei. :)

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3 comentários:

Victor disse...

Amei o nome do blog!

É sempre útil ter alguém que nos afirme as nuances da vida. Você faz isso muito bem.

Parabéns pelo blog (layout, conteúdo..)
Sucesso.

Elizabeth disse...

Gi,
Obrigada por avisar!

Sobre as amizades, amores etc. É sempre bom fazer as pazes conosco. É agradável, traz leveza e liberta! E daqui a pouco nos surpreenderemos em sentir um amor idêntico por uma formiga, pelo lodo que se forma, por um assassino, por uma mãe, ou por um grande amor! E isso de forma transparente, límpida, sem questionamentos... É o amor incondicional... É tudo que existe e é o que concordamos em esquecer para viver as delícias e as dores de amar! Rsrsrsrsrsrs!!!! Aí a gente fica feliz em saber que era tudo uma grande brincadeira, e quer voltar pra viver tudo de novo!!!! Eeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!
Viva nós!!!!
Amo seus escritos!!!
Parabéns!!!!
Bjão!

**Palavras e Cia** disse...

Nossa...passei exatamente por isso assim que me vi sem um grande amor, sem um grande amigo...o perdão, dado a mim, a ele, a tudo e todos nessa minha historia me libertou...tbm revi fotos, cartas, chorei..coloquei tudo pra fora..e ai sim estava pronta pra seguir...e segui! Então, no final das contas, o perdão é a chave da cela...bju e amei!

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